“A ARTE É A MAIS BELA DAS MENTIRAS”.

(CLAUDE DEBUSSY)

 

Como a pintura, a arquitetura, a música, a dança, a escultura, a literatura é uma forma de manifestação de arte. O artista recria a realidade e, por isso, é um criador de sonhos, ilusões, verdades, mundos, tem o poder de moldar segundo suas convicções, seus ideais, suas experiências. Picasso afirmou: “A arte é uma mentira que revela a verdade”.

 

O que é Literatura?

 

“A literatura como toda a arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e  nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio. Os fatos que lhe deram às vezes origem perderam a realidade primitiva e adquiriram outra, graças à imaginação do artista. São agora fatos de outra natureza, diferente dos fatos naturais objetivados pela ciência ou pela história ou pelo social.

O artista literário cria ou recria um mundo de verdades que não são mensuráveis pelos mesmos padrões das verdades fatuais. Os fatos que manipulam não têm comparação com os da realidade concreta. São as verdades humanas gerais, que traduzem antes um sentimento de experiência, uma compreensão e um julgamento das coisas humanas, um sentido da vida, e que fornecem um retrato vivo e insinuante da vida, o qual sugere antes que esgota o quadro.

A Literatura é, assim, parte da vida, não se admitindo que possa haver conflito entre uma e outra. Através das obras literárias, tomamos contacto com a vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os homens e lugares, porque são as verdades da mesma condição humana.”

 

Afrânio Coutinho

 

“Literatura é a linguagem carregada de significado. Grande literatura é simplesmente a linguagem carregada de significado até o máximo grau possível. A literatura não existe no vácuo. Os escritores, como tais, têm uma função social definida, exatamente proporcional à sua competência como escritores. Essa é a sua principal utilidade”.

Ezra Pound

 

AUTOPSICOGRAFIA

 

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Nas as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama o coração.

 

Fernando Pessoa